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  • Vívian A. S. Malva

A Aromaterapia no Brasil e a qualidade dos óleos essenciais


Somente quem estuda Aromaterapia dá-se conta do extenso material de estudo que existe e da necessidade incessante de atualização e conhecimento dos óleos essenciais. É um mundo que se descortina à nossa frente, quando falamos da vasta possibilidade de aplicações, a química dos óleos essenciais e principalmente, a receptividade do mercado em relação à essa (relativamente) nova profissão. O Aromaterapeuta deve, em primeiro lugar, certificar-se de estar utilizando óleos essenciais de qualidade, pois corre o risco de não ver os resultados esperados e frustrar-se, pois o trabalho em torno da pesquisa do óleo, a aplicação do mesmo, o uso diário pelo cliente tem como base a certeza de estar utilizando o material ideal.

O Brasil destaca-se na produção mundial de Óleos Essenciais, mas sofre de problemas crônicos como falta de manutenção do padrão de qualidade dos óleos, representatividade nacional e baixos investimentos governamentais no setor, que levam a um quadro estacionário. (Bizzo e Rovell, 2009)

A indústria da perfumaria sintetiza a maioria dos perfumes em laboratório. Estes, sem propriedades medicinais...

Os químicos dirão que não há diferença. Segundo eles, os coquetéis químicos que eles produzem em laboratório e os reais são mais ou menos o mesmo. Alguns dirão que a versão química é melhor! A lógica é que existem 100 componentes num óleo (por exemplo, o Neroli, óleo da flor da laranjeira), mas somente 5 ou 10 deles produzem o aroma. O Neroli natural, segundo eles, não pode ser testado com segurança porque é muito complexo, logo a “cópia” química é mais segura. [...] Nenhum laboratório pode produzir um “Neroli” que faz o que o Neroli faz – ajudar no bem-estar, por exemplo, porque ninguém ainda descobriu todos os seus minúsculos componentes. Os 90 ou 95 outros componentes são descartados porque dizem que não se necessita deles, mas isso vai depender do que está se tentando replicar: o aroma ou o efeito? Uma coisa é testar individualmente um grupo de componentes químicos para inclusão em um produto e declará-los seguros, mas e sobre o produto como um todo – como são as interações químicas entre eles – e mais importante – com todos as químicas naturais e células dentro do seu corpo? (Worwood, 1996). Somado à tudo isso: padrões de qualidade vigentes e falta de uma padronização exclusiva para o setor aromaterapeutico, alterações na qualidade em função de diferentes condições edafoclimáticas, adulterações com naturais de valor inferior e adulteração com sintéticos, faz com que tenhamos pouca ou nenhuma opção de óleos essenciais com grade terapêutica comprovada no país. Isso é importante porque a Aromaterapia é utilizada não somente pelos efeitos antimicrobianos, antivirais, anti-inflamatórios, etc. mas também por seus efeitos sobre os estados emocionais e mentais (Cannard, 2006).

A Aroma-Psicologia, por exemplo, especificamente refere-se ao uso de óleos essenciais para positivamente afetar a mente – por exemplo, melhorar a memória, acelerar o aprendizado, melhorar o humor ou aumentar a confiança. Estas estimulações mentais tem um impacto direto na atuação diária e aplicações práticas estão atualmente sendo utilizadas por uma larga quantidade de organizações. Como mente e corpo são uma unidade integrada, o termo “Aroma-Psicologia” é de alguma forma insatisfatório, mas ainda é útil para denotar o grau no qual funções mentais e corporais são envolvidas ao mesmo tempo. Exemplo: se você queima sua mão e você coloca óleo de Lavanda, existe uma aplicação física embora ela também atenue o choque e ajude a relaxar. Chamamos isso de Aromaterapia. Por outro lado, se você está oferecendo uma festa e quer que a sala tenha um aroma que faça seus hóspedes relaxarem, você pode escolher uma sinergia de óleos e colocar num difusor, porém, pela química existente, algumas pessoas poderão também percebe-los fisicamente. Essa é a fronteira entre Aromaterapia e Aroma-Psicologia. (Worwood, 1996)

Assim, conforme estendemos o uso dos óleos essenciais para tratarmos outras esferas (mental, emocional, etc), compreendemos a importância de trabalharmos com matéria-prima de qualidade, em que possamos confiar nos resultados, já que toda a terapia pauta-se nas propriedades químicas dos mesmos.

A Aromaterapia em sua essência busca trazer equilíbrio e harmonia para a pessoa em tratamento, usando os óleos essenciais como um veículo para manter ou restaurar o equilíbrio das partes de seu organismo que estavam com atividade afetada em relação à unidade. Não é possível administrar um bom e duradouro tratamento, levando em conta apenas partes isoladas do ser humano, negligenciando o seu ser integral, assim como também não é adequado tratar todas as pessoas de forma exatamente igual, como se fossem um só ser, fabricado em série, como parafusos ou máquinas – cada ser humano é único, específico, peculiar no universo – o tratamento terapêutico deve, portanto, ser realizado da mesma maneira. (O’Neill, 2013)

Referências:

Worwood, V.A. The Fragrant Mind – Aromatherapy for Personality, Mind, Mood and Emotion. California: New World Library Novato, 1996

http://www.aromavera.net/ - Site de Vera Lúcia Guedes O’Neill, educadora oficial da Penny Price Academy no Brasil. Acessado em 07/06/2013.

http://www.scielo.br/pdf/qn/v32n3/a05v32n3.pdf - Artigo de Humberto R. Bizzo e Ana Maria C. Hovell e Cláudia M. Resente. Acessado em 08/06/2013.

http://www.administradores.com.br/noticias/marketing/como-trabalhar-o-marketing-olfativo/75704/ - Gabriel Rossi. Acessado em 08/06/2013.

Cannard, G. The effect of aromatherapy in promoting relaxation and stress reduction in a general hospital. Complementary Therapies in Nursing and Midwifery, 1996. Disponível em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9439271

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