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  • Vívian A. S. Malva

Hidrolatos: esses desconhecidos


A destilação possui uma longa história, sendo que os primeiros registros remontam a 3.500 anos antes de Cristo. Na China (3.000 a.C.), na Índia (2.500 a.C.), e no Egito (2.000 a.C.) a fabricação de perfumes e cosméticos eram bem conhecidas e a destilação servia para elaboração destes preparados.

Desde suas origens e durante um longo período, a destilação estaria ligada à preparação de poderosas ‘águas’, do maravilhoso ‘elixir’ que promoveria a cura das doenças dos homens. Seria também por meio da destilação que os iniciados extrairiam as ‘quintessências’ de vegetais, minerais e partes de animais, obtendo-se dessa forma puríssimos e poderosos medicamentos.

Para explicar o que são os hidrolatos, vamos rever rapidamente o processo da destilação: quando a destilação a vapor é utilizada na fabricação e extração de óleos essenciais, o material botânico é colocado em um destilador em uma região de isolamento (1) e o vapor é forçado sobre o material. O vapor quente (2) ajuda a liberar as moléculas aromáticas do material vegetal, pois abrem as bolsas em que os óleos são mantidos no material vegetal. As moléculas dos óleos voláteis, em seguida, escapam do material vegetal e evaporam no vapor. O vapor que contém o óleo essencial passa através de um sistema de resfriamento para condensar o vapor – a serpentina de arrefecimento (3), que forma o líquido a partir do qual o óleo essencial e água são separados. Como a densidade do óleo essencial difere da água, ele flutua no topo da água aromática - ou hidrolato - (4) onde pode ser extraído. O resultado é um puro, genuíno e natural óleo essencial (5). Normalmente, falamos muito dos óleos essenciais, mas agora vamos falar dos hidrolatos.

Porque são tão pouco conhecidos e utilizados?

Existe muito pouca informação a respeito deles, poucos estudos científicos e é difícil encontrar um ensino especializado. Além disso, ter acesso ao genuíno hidrolato natural de qualidade também é um desafio.

O hidrolato pode ser representado como a “homeopatia” da Aromaterapia. É um produto separado e natural do processo de destilação. Não pode ser manufaturado sinteticamente no laboratório. É solúvel em água, com componentes voláteis da planta que frequemente possuem uma fragrância muito parecida com o óleo essencial, mas não tão forte, altamente tolerável.

Os hidrolatos têm tido um uso contínuo por três séculos e meio ou mais, sendo empregados na cozinha, na medicina e para melhorar a higiene pessoal, o que indica sua aplicação terapêutica e segura. Por serem leves em sua ação são úteis para o tratamento de jovens, idosos ou pessoas com um estado de saúde delicado, incluindo bebês e convalescentes. (Nasr, 2000)

Eles são impregnados com alguns compostos solúveis em água (hidrofílicos) que não estão presentes nos óleos essenciais, por exemplo ácidos carboxílicos anti-inflamatórios. São ideais para casos severos de psoríase, ou de pele muito sensível (Keville & Green, 1995)

O uso dos hidrolatos podem ser de muitas formas: ao natural na face, cabelos, corpo; em spray; nas vestimentas; para desinfetar as mãos; em banhos de assento; para refrescar o ar durante uma viagem (no carro, no hotel, no avião); para uso medicinal (asma, bronquite,colite, duchas, eczema, gargarejos, bochechos, assaduras, traqueíte, úlceras, feridas, queimaduras, compressas, dores), etc.

Embora os hidrolatos já sejam diluídos pela própria razão do seu método de produção, podem ser mais diluídos para o uso. Payne (1999) sugere que 1 colher de chá (5 ml) pode ser diluída em 200 ml de água pura e ainda ser efetiva.

Jeanne Rose (1999) foi uma das primeiras autoras da língua inglesa a passar seu conhecimento sobre os hidrolatos. Suzanne Catty (2001), em seu livro muito útil e informativo sobre hidrossóis (ou hidrolatos) fornece muitos de seus atributos e propriedades.

É importante frisar que, nem sempre o hidrolato tem a mesma característica do óleo essencial. Por exemplo: o hidrolato de Lavanda (Lavandula angustifolia) possui um aroma diferente do óleo essencial, provavelmente por causa da falta do acetato linalil. Assim, as propriedades também podem diferir. Ao usar hidrolatos, é necessário pesquisar nas publicações existentes suas principais indicações.


Referências:

Nars, J. Aromatic waters

http://www.naturesgift.com/hydrosol_order.htm

Acessado em 17/08/13.


Keville,K. Green, M. Aromatherapy: a complete guide to the healing art. Crossing press, Freedom, 1995.


Rose, J. 375 Essential Oils and hydrosols. Berkeley: Frog, 1999.


Catty, S. Hidrosols: the next aromatherapy. Rochester: Healing Arts Press, 2001.

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